JÜRG SCHLUMPF, GERENTE DE METAS CORPORATIVAS PARA O MERCADO DE CONCRETO

Qual foi o desafio mais difícil?

Durante a fase de pré-qualificação, em 1996, o cliente especificou um tempo de trabalhabilidade para o concreto de seis horas a menos de 25 °C, com alta resistência inicial subsequente. Porém, já na fase de construção, esse requisito foi aumentado pela empreiteira, que determinou um tempo de bombeamento de oito horas. Àquela época, era uma solicitação sem precedentes. Por meio de intensa cooperação entre a empreiteira responsável e dois departamentos da Sika – Tecnologia de Concreto e Pesquisa & Desenvolvimento –, os novos parâmetros puderam ser alcançados sem erros ao longo de todo o período de construção. Por sinal, esses requisitos do projeto vieram depois a formar o ponto de partida para a linha de produtos Sika ViscoFlow®, hoje muito bem-sucedida em todo o mundo.

Qual foi sua experiência mais memorável?

Meu primeiro contato com o projeto do túnel se deu em 1994, pouco mais de um ano após eu ter me juntado à Sika como engenheiro de produtos da área de aditivos para concreto. Era um serviço relacionado a concreto de alta resistência inicial para o túnel exploratório de Piora. Nós desenvolvemos a solução mais adequada para o cliente – Sikament® HE-200 –, logo fecharam conosco o contrato. Já nessa época eu passava dias e noites no canteiro de obras. Depois, durante o processo de pré-qualificação (a partir de 1995), passei semanas inteiras no túnel de teste de Hagerbach, acompanhando nossos principais sistemas de concretagem. No final de 2001, as obras de concretagem do túnel começaram "de verdade". Coube aos membros da minha equipe transformar aquele trabalho preliminar em realidade. Para mim, os anos que se seguiram foram repletos de reuniões sobre potenciais e limitações dos sistemas do Túnel de Base. Tudo acabou para mim em 15 de outubro de 2010, com a abertura da passagem entre Sedrun e Faido. Por 15 anos, o Túnel de Base de São Gotardo integrou e definiu minha vida profissional. Aprendi com ele que quase tudo é possível!

MICHAEL VORWERK, ENGENHEIRO DE PRODUTO

Qual foi sua experiência mais importante?

No trecho de Sedrun, conheci pessoas totalmente preparadas para deixar de lado seus interesses pessoais. Havia ali muita motivação e atividade em busca dos objetivos da equipe. Foi uma boa experiência, que levarei sempre comigo.

Qual foi o desafio mais difícil?

A união de pessoas de diferentes nações e culturas, que souberam ficar lado a lado para criar, juntas, uma estrutura monumental e impressionante – para nós e para muitas gerações futuras.

CHRISTIAN ANDERRÜTHI, GERENTE DE VENDAS DA ÁREA DE TUNELARIA

Qual foi sua experiência mais memorável?

Foi em 2000, cerca de 4 ou 5 meses após o início dos trabalhos de construção do túnel de acesso em Faido. Depois de uma sequência de explosões (cerca de três metros do túnel foram dinamitados), eu e o administrador do canteiro, o experiente Franz Walker, da Amberg, caminhávamos em direção à área de trabalho quando decidimos escalar o material recém-escavado. Franz tinha visto uma fissura na qual achou que poderia haver minerais. Era perigoso escalar as pedras recém-partidas, porque alguns de seus cantos e bordas eram afiados feito navalhas. Havíamos parado à direita da frente de trabalho, que estava desprotegida, aberta, para ele mexer na fissura com um martelo, quando houve um grande estrondo. Cerca de um metro atrás de nós, um grande pedaço de rocha, com talvez 3 m2 e uns 30 cm de espessura, caiu sobre a pilha de escombros. Eu fiquei tão assustado que meus joelhos fraquejaram e fui incapaz de descer dos escombros sem a ajuda de Franz. Depois dessa experiência, só apareço muito raramente em áreas desprotegidas de túneis em processo de escavação – e ainda assim, de má vontade. Pude experimentar em primeira mão um dos perigos do trabalho diário dos mineiros e tuneleiros, e entendi por que eles constantemente dão graças à sua padroeira, Santa Bárbara. Quando tenho que trabalhar no subsolo, eu o faço com um grande respeito pela montanha... E participo da Festa de Santa Bárbara com os mineiros no dia 4 de dezembro. De vez em quando, eu faço o sinal da cruz diante das imagens abençoadas da santa, presentes na entrada de toda galeria ou túnel.